Soja no Brasil: Maurício Buffon fala de sustentabilidade, armazenagem e biodiesel
Produção de soja no Brasil: Maurício Buffon, da Aprosoja Brasil, explica o plantio direto, os gargalos de armazenagem e o papel do biodiesel.

Resumo direto
- O plantio direto e as áreas de reserva legal e APP sustentam a produção brasileira de soja.
- O Brasil lidera a produção e a exportação mundial de soja.
- A baixa capacidade de armazenagem é o maior gargalo de uma safra estimada em 170 milhões de toneladas.
- Quanto mais esmagamento para biodiesel, maior a oferta de proteína vegetal e menor a pressão sobre o preço dos alimentos.
Assista à entrevista
Soja no Brasil: Tecnologia, Sustentabilidade e Desafios com Maurício Buffon
Entrevista no Energia Agro destaca estratégia e futuro da produção de soja.
No programa Energia Agro transmitido pelo canal Agro+, Donizete Tokarski, especialista em bioeconomia, recebeu Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil, para debater o panorama da produção de soja no Brasil. O momento marcou também a celebração dos 35 anos da entidade, referência em defesa dos interesses do produtor de soja brasileiro.
Maurício Buffon abriu a entrevista reconhecendo os avanços notáveis do Brasil na produção de soja, especialmente em relação à adoção do plantio direto, considerada uma das práticas mais sustentáveis mundialmente. Segundo Buffon, poucos países implementam o sistema como no Brasil, garantindo alta produtividade e respeito ao meio ambiente.
Outro diferencial ressaltado foi a expressiva preservação ambiental: áreas cultivadas com soja, em sua maioria, contam com reservas legais e Áreas de Preservação Permanente (APPs). Este modelo de produção sustentável, associado ao uso intensivo de tecnologia agrícola, coloca o Brasil na vanguarda mundial do setor.
Buffon também destacou o papel dos produtores rurais na adoção de inovações, contribuindo para o aumento da produtividade — atualmente entre as maiores do mundo — e para a diversificação de culturas, muitas vezes rotacionando soja, milho e até pecuária nas mesmas áreas.
No contexto de mercado, o Brasil já é líder mundial em produção e exportação de soja. Porém, há desafios: o país precisa agregar mais valor à cadeia produtiva, incentivando o consumo interno, especialmente de proteína vegetal, cuja a soja é uma das bases mais acessíveis, com impacto direto na cadeia de carnes, ovos e laticínios.
Maurício Buffon lembrou da importância dos biocombustíveis, em especial do biodiesel de soja, não só para a matriz energética, mas para distribuir os custos e baratear alimentos — já que óleo e farelo resultantes do esmagamento agregam valor e estabilizam o mercado. No entanto, cerca de 170 milhões de toneladas (safra estimada) enfrentam gargalos, sobretudo falta de infraestrutura, armazenagem, linhas de crédito e políticas contínuas.
Buffon defendeu que um dos maiores desafios é a baixa capacidade de armazenagem: “O dinheiro mais bem investido que o governo pode fazer é em armazenagem, pois isso vai equilibrar a oferta, evitar filas de caminhões, equalizar preços e facilitar a vida do produtor”, pontuou. O acesso restrito ao crédito para investimentos em armazenagem e a ausência de políticas robustas para o setor também foram apontados como vetores de instabilidade.
Durante a entrevista, o mito de que biocombustíveis competem com alimento foi desconstruído. Segundo Buffon, quanto maior o processamento para biodiesel, maior a oferta de proteína vegetal e, portanto, maior potencial de barateamento de comida. Ele ainda lembrou que fatores como clima adverso, falta de investimento e políticas públicas restritivas impactam toda a cadeia, pressionando preços.
No âmbito internacional, Buffon apontou a relevância do Brasil como fornecedor de alimentos e destacou disputas comerciais veladas envolvendo países europeus, cuja principal crítica ao Brasil, sob o véu ambiental, é a competitividade que elimina rivais. Ressaltou também a necessidade de leis de reciprocidade, para garantir condições justas de mercado.
Finalizando, Buffon propôs como caminhos para a redução dos custos dos alimentos: investimentos abrangentes em infraestrutura, principalmente armazenagem, linhas de financiamento específicas e políticas estáveis para o agricultor. Destacou ainda a importância do diálogo contínuo e de uma legislação clara, voltada para o desenvolvimento sustentável do agro brasileiro.
Sobre o autor
Donizete Tokarski
Engenheiro agrônomo formado pela UFG, presidente executivo da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sócio-diretor da LKT Consultores Associados e apresentador do programa Energia Agro, no Canal AgroMais.
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