Ir para o conteúdo
Energia Agro

Cadeia produtiva da proteína animal: como o Brasil lidera o mercado mundial de frango

Proteína animal brasileira: Marcelo Osório, da ABPA, explica por que 38% do frango vendido no mundo vem do Brasil e a ligação com o biodiesel.

Por Publicado em 6 min de leitura

Cadeia produtiva da proteína animal: como o Brasil lidera o mercado mundial de frango

Resumo direto

  • O Brasil é o maior exportador mundial de frango: 38% do frango comercializado no mundo é brasileiro.
  • A avicultura produz 15 milhões de toneladas por ano, e 65% abastecem o mercado interno.
  • A cadeia gera mais de 4 milhões de empregos diretos e indiretos e exporta para mais de 150 países.
  • Proteína animal e biocombustíveis são complementares: farelo e DDG entram na ração, e subprodutos animais podem virar biodiesel.

Assista à entrevista

ABPA Explica: Por Que 150 Países Dependem da Proteína Brasileira

O seminário cadeia produtiva proteína Brasil será palco de discussões fundamentais sobre o futuro do agronegócio nacional. Em entrevista exclusiva ao programa Energia Agro, Marcelo Osório, diretor de relações institucionais da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), revelou como o Brasil se consolidou como maior exportador mundial de frango e quarto maior produtor de carne suína.

Com mais de 30 anos de experiência no setor, Osório destacou que o país produz 15 milhões de toneladas de aves por ano, sendo que 65% da produção abastece o mercado doméstico. Os números impressionam: 38% do frango comercializado mundialmente é brasileiro, representando 4 de cada 10 quilos consumidos globalmente.

O seminário cadeia produtiva proteína Brasil, que acontecerá no dia 21 de agosto na CNA, promete abordar os desafios e oportunidades de um setor que gera mais de 4 milhões de empregos diretos e indiretos, demonstrando a importância estratégica da proteína animal para a economia nacional.

Cadeia produtiva proteína Brasil: oportunidades 2025

Representatividade e abrangência do setor

A ABPA representa todo o ecossistema da cadeia produtiva proteína Brasil, incluindo avicultura, suinocultura e produção de ovos. Com mais de 140 associados, a entidade congrega desde agroindústrias até fornecedores de equipamentos, laboratórios e empresas de genética.

“A ABPA basicamente representa todo o setor da avicultura, da suinocultura e da produção de ovos do Brasil. É a maior entidade, muito robusta, que representa todas as agroindústrias e empresas relacionadas com o setor de produção de proteína animal”, explica Osório.

Números que impressionam na cadeia produtiva

Dados da avicultura brasileira:

  • 15 milhões de toneladas produzidas anualmente
  • 46 kg per capita de consumo doméstico
  • Terceiro maior produtor mundial
  • Maior exportador mundial

Suinocultura em crescimento:

  • Quarto maior produtor mundial
  • Quarto maior exportador global
  • 1,5 milhão de toneladas previstas para exportação em 2025
  • 18,5 kg per capita de consumo interno

Desafios da infraestrutura na cadeia produtiva proteína brasil

Modernização logística e portuária

O seminário cadeia produtiva proteína Brasil deve abordar os gargalos logísticos que ainda limitam o potencial exportador. Osório destaca que a concentração da produção no Sul e Sudeste exige investimentos em infraestrutura especializada para cargas congeladas.

Avanços tecnológicos implementados:

  • CSN digital: Certificação Sanitária Nacional automatizada
  • CSI digital: Certificado Sanitário Internacional em desenvolvimento
  • SDA digital: Sistema da Secretaria de Defesa Agropecuária modernizado

“Toda essa logística precisa ser focada em containers e caminhões frigoríficos, nos armazéns dos portos, para agilizar o carregamento dos navios. Quanto mais ágil for esse processo, mais competitivo nosso produto chegará ao exterior”, enfatiza o diretor da ABPA.

Desafios legislativos e regulatórios

O setor enfrenta questões trabalhistas específicas, como:

  1. Modernização das leis trabalhistas
  2. Regulamentação da pausa térmica
  3. Normas para trabalho em ambiente frio
  4. Segurança jurídica nos processos

Integração entre proteína animal e biocombustíveis

Complementaridade dos setores

Contrariando percepções de competição, Osório esclarece que a cadeia produtiva proteína Brasil é 100% complementar à produção de biocombustíveis:

“Quando a gente pega as carnes, é muito melhor transformar aqueles grãos em proteína animal e exportar esse valor agregado do que mandar o grão in natura. São setores complementares e importantíssimos.”

Benefícios da integração:

  • 70% da ração é composta por farela de soja e milho
  • DDG do etanol de milho pode ser aproveitado na alimentação animal
  • Farelo de soja (45% de proteína) é fundamental para a ração
  • Subprodutos da proteína animal podem gerar biodiesel

Sustentabilidade e economia circular

A Associação Brasileira de Reciclagem Animal gerencia os resíduos orgânicos da produção, demonstrando o compromisso do setor com a sustentabilidade. Parte do óleo de frango é reaproveitada na própria ração, enquanto outra parcela pode ser destinada ao biodiesel.

Mercado global e oportunidades de exportação

Diversificação de mercados

O Brasil exporta proteína animal para mais de 150 países, mantendo um equilíbrio estratégico entre mercados:

Principais destinos (frango):

  • China e Japão (mercados asiáticos)
  • Emirados Árabes e Arábia Saudita (mercados árabes)

Otimização cultural da produção

A diversificação permite aproveitar diferenças culturais alimentares:

  • Pés de frango: Altamente valorizados na China
  • Coração de frango: Tradicional no Sul do Brasil
  • Cortes específicos: Adaptados às preferências regionais

“Praticamente 38% do frango comercializado no mundo é brasileiro. De cada 10 quilos comercializados globalmente, 4 vêm do Brasil”, destaca Osório.

Oportunidades de emprego no setor

Mercado de trabalho aquecido

O setor oferece mais de 25 mil vagas em aberto, demonstrando o dinamismo da cadeia produtiva proteína Brasil:

  • Desenvolvimento regional: Frigoríficos impulsionam IDH local
  • Capacitação profissional: Setor investe em qualificação
  • Estabilidade: Crescimento constante da demanda

“Onde há frigorífico, onde há produção de proteína animal, há desenvolvimento humano, renda e emprego”, afirma o diretor da ABPA.

Perspectivas para o futuro da cadeia produtiva

Potencial de crescimento

O seminário cadeia produtiva proteína Brasil deve explorar as oportunidades de expansão:

Mercado interno:

  • Aumento do consumo de carne suína
  • Crescimento da cultura fitness e proteína
  • Valorização nutricional dos ovos

Mercado externo:

  • Abertura de novos mercados
  • Consolidação da liderança mundial
  • Superação de barreiras sanitárias

Regulamentação e modernização

Prioridades do Ministério da Agricultura:

  • Lei do Autocontrole: Regulamentação em fase final
  • Modernização digital: Redução da burocracia
  • Linhas de crédito: Inovagro e Moderagro para o setor

O futuro da proteína animal brasileira

O seminário cadeia produtiva proteína Brasil representa uma oportunidade única para discutir o futuro de um setor estratégico. Com vocação natural para a produção de proteína animal, o Brasil possui todos os elementos para manter sua liderança global: clima favorável, disponibilidade de grãos, tecnologia avançada e sistema sanitário robusto.

A superação recente da gripe aviária demonstrou a resiliência e competência técnica do setor. Com mais de 4 milhões de empregos gerados e participação crescente nas exportações, a cadeia produtiva de proteína animal brasileira está preparada para os desafios futuros.

Participe do seminário no dia 21 de agosto na CNA e contribua para o desenvolvimento de um setor que orgulha o Brasil e alimenta o mundo.


Sobre o entrevistado

Marcelo Osório é diretor de relações institucionais da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) há quase sete anos. Com mais de 30 anos de experiência no mercado de proteína animal, é reconhecido especialista em políticas públicas para o setor e relações comerciais internacionais. Natural do Rio Grande do Sul, Osório tem atuação destacada na modernização regulatória e na defesa dos interesses da cadeia produtiva brasileira de proteína animal.

Os números do artigo

Os números do artigo
IndicadorDado
Produção anual de aves15 milhões de t
Participação no frango comercializado no mundo38%
Consumo de frango por habitante46 kg por ano
Exportação de carne suína prevista para 20251,5 milhão de t
Consumo de carne suína por habitante18,5 kg por ano
Empregos diretos e indiretosmais de 4 milhões
Símbolo da marca Donizete Tokarski

Sobre o autor

Donizete Tokarski

Engenheiro agrônomo formado pela UFG, presidente executivo da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sócio-diretor da LKT Consultores Associados e apresentador do programa Energia Agro, no Canal AgroMais.

Conheça a trajetória
Compartilhe: WhatsApp LinkedIn Facebook X

Leia também

Mais em Energia Agro