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Biocombustíveis

Nova Indústria Brasil: como a tecnologia pode alavancar a bioeconomia e os biocombustíveis

Nova Indústria Brasil: Rosilda Prats, da P&D Brasil, explica os eixos da política industrial e o papel da Indústria 4.0 na bioeconomia.

Por Publicado em 4 min de leitura

Nova Indústria Brasil: como a tecnologia pode alavancar a bioeconomia e os biocombustíveis

Resumo direto

  • A P&D Brasil reúne 48 indústrias, com faturamento de R$ 94 bilhões e R$ 2,1 bilhões por ano investidos em pesquisa e desenvolvimento.
  • A Nova Indústria Brasil tem eixos como saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia e biocombustíveis, e soberania e defesa.
  • A Indústria 4.0 conecta agro e energia com sensores, automação e logística otimizada.
  • Segurança jurídica e previsibilidade são condições para o investimento de longo prazo.

Assista à entrevista

Tecnologia nacional: o segredo para revolucionar o agronegócio brasileiro!

O Brasil se encontra em um momento decisivo para redefinir seu futuro industrial. Para debater os caminhos da inovação e tecnologia, o programa “Energia & Agro”, do Canal Agro+, apresentado pelo consultor em bioeconomia Donizete Tokarski, recebeu Dra. Rosilda Prats, presidente executiva da P&D Brasil, associação que reúne as principais empresas de pesquisa e desenvolvimento do país.

A conversa explorou como o programa Nova Indústria Brasil (NIB), alinhado à transformação digital, pode ser a chave para o Brasil se consolidar como uma potência em bioeconomia e biocombustíveis.

P&D Brasil: a força da inovação nacional

A P&D Brasil representa um ecossistema de 48 indústrias de ponta nos setores de telecomunicações, automotivo, energia e automação. Juntas, essas empresas movimentam um faturamento de R$ 94 bilhões e reinvestem R$ 2,1 bilhões anualmente em pesquisa e desenvolvimento.

Segundo Prats, investir em P&D é uma questão de soberania. “Desenvolvimento tecnológico tem muito a ver com soberania, um equilíbrio entre o decidir por desenvolver tecnologia para que não sejamos seguidores e, sim, fomentadores”, afirmou. Ela citou o exemplo da produção nacional de respiradores durante a pandemia como um case de sucesso que salvou vidas e demonstrou a capacidade da indústria brasileira.

A ‘Nova Indústria Brasil’ e seus 6 eixos estratégicos

Um ponto central do debate foi o programa Nova Indústria Brasil (NIB), uma política articulada entre governo, setor privado e academia. Prats detalhou os seis eixos prioritários definidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento da Indústria (CNDI) para guiar o futuro do país:

1. Agronegócio: Com a meta de fornecer 40% dos alimentos do mundo até 2050.
  1. Saúde: Fortalecendo o SUS com tecnologia de ponta.
  2. Infraestrutura: Modernizando e expandindo a base logística e energética do país.
  3. Transformação digital: Aplicando a Indústria 4.0 para aumentar a competitividade em todos os setores.
  4. Bioeconomia, eletromobilidade e biocombustíveis: Liderando a transição para uma economia sustentável.
  5. Soberania e defesa: Garantindo autonomia tecnológica e segurança nacional.

A sinergia entre agro e energia: Indústria 4.0 no campo

A conexão entre os eixos de agronegócio e bioenergia é onde o Brasil pode brilhar. Para Rosilda Prats, a Indústria 4.0 é a ponte para essa revolução. “É você procurar estabelecer processos os mais mecânicos e automatizados possíveis para entrar na digitalização, para que você otimize processos, melhore a tua competitividade em tempo e em custo”, explicou.

Desde sensores em uma colheitadeira que preveem falhas antes que aconteçam até a otimização logística do campo ao porto, a tecnologia agrega valor e reduz custos. O impacto econômico é direto:

> “Temos um estudo na P&D Brasil que, quando a tecnologia é desenvolvida no país, você agrega 85% de riqueza aqui. Quando é montada, 50%, e quando é só importada, de 25% a 30%. Então, vamos produzir tecnologia aqui”, defendeu Prats.

Mulheres na tecnologia: ocupando espaços e gerando negócios

Um tema de grande relevância abordado foi a necessidade de ampliar a participação feminina em um setor ainda predominantemente masculino. Dra. Prats, que recentemente assumiu a presidência pro tempore das Mulheres Empresárias do Mercosul, fez um chamado à ação.

“O importante é a escuta, é fazer com que a outra se inspire nesse movimento de maior segurança, de fala, de argumentações para ocupar o espaço”, aconselhou. A orientação para as empresárias que desejam se articular é clara: “Se não tem um grupo, faça. Se tem, tome a dianteira.”

Anote na agenda: Festival Curicaca vai transformar Brasília em capital da inovação

Para quem deseja vivenciar essa revolução tecnológica de perto, Rosilda Prats destacou um evento imperdível: o Festival Curicaca. Coordenado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o festival acontecerá de 7 a 11 de outubro em Brasília, no Estádio Mané Garrincha.

A expectativa é reunir quase 100 mil pessoas, entre empresários, cientistas, estudantes e formadores de opinião, para debater inovação em torno dos seis eixos da Nova Indústria Brasil. Será uma imersão completa em tecnologia, negócios e cultura, preparando o terreno para a COP30 em Belém.

Para o sucesso de todas essas iniciativas, a conclusão é unânime: o Brasil precisa de segurança jurídica e previsibilidade. Um ambiente estável é o alicerce para que o setor produtivo invista a longo prazo e transforme o potencial brasileiro em realidade.

Os números do artigo

Os números do artigo
IndicadorDado
Indústrias associadas à P&D Brasil48
Faturamento das associadasR$ 94 bilhões
Investimento anual em P&DR$ 2,1 bilhões
Símbolo da marca Donizete Tokarski

Sobre o autor

Donizete Tokarski

Engenheiro agrônomo formado pela UFG, presidente executivo da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sócio-diretor da LKT Consultores Associados e apresentador do programa Energia Agro, no Canal AgroMais.

Conheça a trajetória
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