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Economia Circular

Economia circular no agronegócio: como funciona e quais são os benefícios

Economia circular no agronegócio: conheça os três pilares do modelo, exemplos como biodigestores e compostagem e os ganhos para o produtor.

Fonte original: EP Agro Curadoria: Donizete Tokarski Publicado em 3 min de leitura

Economia circular no agronegócio: como funciona e quais são os benefícios

Resumo direto

  • A economia circular transforma o fim de um ciclo no começo de outro, reaproveitando resíduos como insumos.
  • Seus três pilares: eliminar resíduos desde o projeto, manter materiais em uso e regenerar os sistemas naturais.
  • No campo, inclui compostagem, uso de restos vegetais na ração e biogás a partir de dejetos.
  • Reduz gastos com fertilizantes, água e energia e facilita certificações sustentáveis.

O conceito de economia circular no agronegócio propõe um novo modelo de produção e consumo baseado na reutilização de resíduos, otimização dos recursos naturais e regeneração dos sistemas ecológicos. Na prática, isso significa reduzir desperdícios e impactos ambientais, investir em processos sustentáveis e transformar subprodutos em novos insumos, o que aumenta a eficiência produtiva.

Diferente do modelo linear tradicional – aquele que extrai matéria-prima, produz e descarta -, a economia circular busca dar um novo propósito aos resíduos agrícolas. De acordo com o Prof. Dr. Diego de Melo Conti, pesquisador do Programa de Pós-graduação em Sustentabilidade e professor da Escola de Economia e Negócios da PUC Campinas, “o objetivo da economia circular é transformar o fim de um ciclo em começo de outro, como transformar cascas de frutas em compostagem em vez de jogá-las fora. Em outras palavras, significa estruturar um ciclo econômico fechado e circular”.

Segundo Conti, existem três pilares que sustentam esse modelo de economia: “o primeiro é eliminar resíduos e poluição desde o design, ou seja, pensar desde o início em produtos e processos que evitem perdas e desperdícios. O segundo pilar consiste em manter produtos e materiais em uso pelo maior tempo possível, seja por meio do reaproveitamento, conserto ou transformação. Por fim, o terceiro pilar é regenerar os sistemas naturais a partir de uma nova abordagem econômica, permitindo que o solo, a água e os ecossistemas se recuperem e se fortaleçam ao longo do tempo”, afirma.

No agronegócio, os princípios da economia circular podem ser aplicados com a reciclagem de resíduos orgânicos para adubação, o aproveitamento de restos vegetais na alimentação animal e a conversão de dejetos em biogás – fonte renovável de energia. Essas medidas, além de reduzirem custos para o produtor, contribuem para a regeneração dos ecossistemas.

Os benefícios desse modelo vão além da preservação ambiental. O professor Conti reforça que a economia circular pode gerar ganhos financeiros expressivos para os produtores. “Ao reduzir o desperdício e reaproveitar recursos, diminui-se o gasto com insumos como fertilizantes, água e energia. Quem faz compostagem de resíduos orgânicos pode economizar com adubos comprados fora da propriedade. O uso de fontes renováveis, como energia solar ou biogás, também reduz a conta de luz no médio prazo. Além disso, o produtor pode transformar resíduos em novas fontes de renda, como vender bagaço, cascas ou esterco para outras cadeias produtivas”, exemplifica.

Ademais, a economia circular pode facilitar a obtenção de certificações sustentáveis, como selos de carbono neutro e selo verde, agregando valor aos produtos e tornando-os mais competitivos. “Outro benefício importante é o acesso a mercados que valorizam práticas sustentáveis, como feiras, cooperativas, exportadores ou marcas que pagam melhor por produtos com certificações verdes ou origem responsável”, continua Conti.

Apesar das vantagens, a transição para a economia circular no agronegócio enfrenta desafios. Pequenos e médios produtores podem encontrar dificuldades na adaptação de infraestrutura e no acesso a tecnologias mais avançadas. No entanto, soluções locais e iniciativas coletivas, como cooperativas e biodigestores comunitários, estão se tornando alternativas viáveis para tornar esse modelo acessível a diferentes realidades.

“Um bom exemplo são os biodigestores usados em pequenas propriedades ou em cooperativas, que transformam resíduos orgânicos e esterco em biogás para cozinhar ou gerar energia elétrica, além de produzir um fertilizante natural como subproduto”, destaca o professor.

Escrita por Luana da Fonte
Fonte: EP Agro

Símbolo da marca Donizete Tokarski

Curadoria

Donizete Tokarski

Engenheiro agrônomo formado pela UFG, presidente executivo da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sócio-diretor da LKT Consultores Associados e apresentador do programa Energia Agro, no Canal AgroMais.

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