COP30: o Brasil é exemplo e incentiva outros países a usar biocombustíveis
Biodiesel na COP30: Juan Diego Ferréz, da Ubrabio, defende menos petróleo e mais biocombustível e explica por que o biodiesel ajuda a produzir alimento.

Resumo direto
- Juan Diego Ferréz, presidente do Conselho da Ubrabio, defende que o Brasil leve à COP30 a mensagem: menos petróleo, mais biocombustíveis.
- Ele propõe que os transportes oficiais da COP30 usem altas misturas, como o B25, e etanol.
- Para cada 1 kg de óleo de soja destinado ao biodiesel, são produzidos 4 kg de proteína vegetal para a ração.
- Para Ferréz, o biodiesel custa menos que o HVO, e o caminho é ampliar a mistura do B15 ao B25.
Assista à entrevista
COP30 Brasil é exemplo e incentiva outros países com a utilização de biocombustíveis
Em um momento crucial para as discussões climáticas globais, o Brasil se prepara para sediar a COP30. Para analisar o papel do país neste cenário, o programa “Energia & Agro”, do Canal Agro+, conversou com uma das maiores autoridades e pioneiros dos biocombustíveis no Brasil: Juan Diego Ferréz, presidente do Conselho da Ubrabio e um dos responsáveis pela implantação da primeira indústria de biodiesel do país.
Ferréz defende que o Brasil não é apenas um participante na transição energética, mas um exemplo prático e poderoso de que um futuro com menos petróleo é possível e economicamente vantajoso.
A era do petróleo acabou: é hora de reduzir para salvar o planeta
Apesar de o Brasil se beneficiar economicamente da alta do petróleo por conta de suas vastas reservas, Ferréz é categórico: a continuidade do uso irresponsável do combustível fóssil é insustentável.
“A era do petróleo (…) foi uma oportunidade que a humanidade teve de avançar. Mas, na verdade, nós estávamos criando um problema gravíssimo que está se evidenciando na crise do clima”, afirmou. “Isso está muito claro: tem que diminuir o petróleo e aumentar os biocombustíveis e outras fontes de energia renováveis.”
Segundo ele, o fim do petróleo não virá por sua escassez, mas pela “falta da possibilidade de usá-lo de forma desmedida”. Nesse contexto, a ciência é clara, e ignorá-la é um retrocesso perigoso.
A mensagem do Brasil para a COP30: menos petróleo, mais biocombustível
Como anfitrião da COP30 em Belém, o Brasil tem a oportunidade única de liderar pelo exemplo. Para Juan Diego Ferréz, a mensagem deve ser direta e prática.
- Liderança e união: O Brasil deve liderar uma grande frente de nações que acreditam na ciência e na urgência da transição energética, contrapondo-se aos interesses que ignoram a crise climática.
- Exposição dos ativos nacionais: É preciso mostrar ao mundo a força dos “enormes ativos do Brasil”: Amazônia, sol, vento, biomassa e, principalmente, um agronegócio capaz de produzir energia limpa.
- A mensagem central: “Menos petróleo. E tudo biocombustíveis,” resumiu Ferréz.
Ele vai além e sugere uma demonstração prática: fazer com que os transportes utilizados durante a COP30, como ônibus e carros oficiais, utilizem altas misturas de biocombustíveis, como B25 (25% de biodiesel), e etanol. Seria a prova viva de que a solução funciona em larga escala.
Biodiesel não compete com alimentos. pelo contrário, ajuda a produzir mais
Ferréz foi enfático ao derrubar um dos mitos mais persistentes sobre os biocombustíveis: a suposta concorrência com a produção de alimentos. Ele explica que a realidade é exatamente o oposto, especialmente no caso da soja.
“Longe de pensar que concorre com alimentos. No caso da soja, para cada um quilo de óleo para usá-lo no biodiesel, quatro quilos de proteína vegetal vão alimentar os rebanhos”, detalhou.
Essa proteína (farelo) é a base da ração para aves, suínos e gado. Sem o mercado de biodiesel para absorver o óleo, a produção de farelo seria inviável, tornando as carnes mais caras e escassas. “O biodiesel está ajudando a alimentar o mundo”, concluiu.
O futuro é o B25: por que o biodiesel é a melhor alternativa para o Brasil
Questionado sobre outras alternativas ao diesel fóssil, como o HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado), Ferréz apresentou um argumento econômico contundente. Embora o HVO funcione, seu custo de produção é muito superior ao do biodiesel.
“Por que o Brasil deveria substituir um produto mais barato, que funciona muito bem, que é ecologicamente correto, que é limpo (…) e que custa mais barato? Não faz sentido”, argumentou.
Para ele, o caminho correto é continuar a rampa de crescimento da mistura, saindo dos atuais 15% (B15) em direção ao B25, um objetivo já delineado e tecnicamente viável. Essa trajetória gradual, segundo ele, é a forma mais inteligente e virtuosa de substituir o petróleo, fortalecendo a indústria nacional e gerando emprego e renda no campo.
Sobre o autor
Donizete Tokarski
Engenheiro agrônomo formado pela UFG, presidente executivo da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sócio-diretor da LKT Consultores Associados e apresentador do programa Energia Agro, no Canal AgroMais.
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