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Biocombustíveis

Canola no Cerrado: Embrapa impulsiona o cultivo com aplicativo e aponta novas fronteiras para o agro

Canola no Cerrado: Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia, apresenta o app Mais Canola, o zoneamento da cultura e o potencial da macaúba.

Por Publicado em 4 min de leitura

Canola no Cerrado: Embrapa impulsiona o cultivo com aplicativo e aponta novas fronteiras para o agro

Resumo direto

  • A canola é a terceira oleaginosa mais produzida do mundo; no Sul ocupa quase 200 mil hectares, com projeção de 1 milhão até 2030.
  • No Cerrado, é opção de safrinha após a soja ou o milho e recicla nutrientes do solo.
  • A Embrapa oferece o app Mais Canola e o curso gratuito Canola Sustentável; o ZARC da canola no Cerrado existe desde 2021.
  • A macaúba começa a produzir em 5 anos e pode seguir produtiva por até 30 anos.

Assista à entrevista

Embrapa agro energia tem aplicativo para produtores de canola

 Descubra como a canola está se expandindo pelo Cerrado com o apoio da Embrapa Agroenergia. Conheça o novo aplicativo para produtores, o potencial da macaúba e outras culturas que prometem diversificar a agricultura e impulsionar a bioeconomia no Brasil.
Em recente edição do programa “Energia & Agro”, do Canal Agro+, o consultor em bioeconomia Donizete Tokarski recebeu Dr. Bruno Laviola, Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, para um debate aprofundado sobre a diversificação de matérias-primas para alimentos e biocombustíveis. A conversa revelou avanços significativos no cultivo da canola e apontou para o futuro promissor de outras culturas, como a macaúba.

A canola: mais que uma opção, uma revolução na segunda safra

Um dos grandes destaques do programa foi a canola. Dr. Laviola explicou que a planta, hoje a terceira oleaginosa mais produzida no mundo, é um derivado melhorado da couza, desenvolvido para eliminar compostos tóxicos e gerar um óleo de altíssima qualidade.

“É um óleo excelente para a alimentação humana, inclusive, que ajuda no combate do colesterol, tem alta concentração de ácidos graxos insaturados e vitamina E”, destacou o pesquisador.

A cultura, já consolidada na Região Sul com quase 200 mil hectares e projeção de atingir 1 milhão até 2030, agora avança sobre o Cerrado. O trabalho da Embrapa tem sido fundamental para adaptar a espécie, tradicional de clima frio, às condições tropicais, similar ao que foi feito com a soja e o trigo no passado.

A canola se apresenta como uma solução estratégica para a rotação de cultura na safrinha, sucedendo a soja ou o milho. Seus benefícios são notáveis:

* Quebra o ciclo de doenças que afetam as culturas principais.
  • Recicla nutrientes de camadas mais profundas do solo.
  • Aumenta a rentabilidade do produtor na segunda safra.

Ferramentas para o produtor: aplicativo e curso gratuitos

Para apoiar os agricultores interessados, a Embrapa Agroenergia desenvolveu ferramentas práticas e acessíveis. “Lançamos um aplicativo chamado ‘Mais Canola’, onde o agricultor tem uma série de informações”, anunciou Laviola.

Além do app, a instituição oferece o curso EAD “Canola Sustentável”, totalmente gratuito e com certificação. A iniciativa visa capacitar o produtor para que ele possa cultivar a oleaginosa com a máxima rentabilidade.

Para quem busca crédito, Laviola trouxe uma notícia crucial: o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a canola no Cerrado já está disponível desde 2021. Este documento é a chave para que os bancos e agentes financeiros possam liberar financiamentos para a cultura com segurança.

Além da canola: um leque de oportunidades para diversificação

O Brasil possui um vasto portfólio de oleaginosas com potencial para diversificar a matriz agrícola, hoje muito concentrada na soja. Laviola citou outras culturas promissoras que podem ser integradas na segunda safra, como:

* Brássicas: Carinata e Mostarda.
  • Outras oleaginosas: Girassol, Crâmbio e Cártamo.

O cártamo recebeu atenção especial por sua tolerância ao calor e seu óleo nobre, de alto valor agregado, sendo uma excelente opção para a agricultura irrigada no Nordeste, com um ciclo produtivo de apenas 90 dias.

O gigante adormecido: o potencial das palmeiras nativas brasileiras

O segundo bloco do programa focou nas palmeiras, com destaque para a macaúba, uma planta nativa do Brasil que está em fase de domesticação pela Embrapa.

Macaúba: a próxima grande estrela do agro brasileiro?

Questionado sobre qual planta poderia ter um “boom” de crescimento, Laviola não hesitou: “A macaúba pode ser uma planta que vai ter um desenvolvimento agrícola bastante importante no país”.

Vista como a “palma de óleo do Cerrado”, a macaúba é uma cultura multifuncional, operando numa lógica de biorrefinaria, onde tudo se aproveita:

* Óleo da Polpa: Ideal para biocombustíveis.
  • Óleo da amêndoa: Nobre, destinado ao mercado de cosméticos.
  • Farelo proteico: Usado na nutrição animal.
  • Casca: Utilizada para cogeração de energia.

Plantas selecionadas já começam a produzir em 5 anos e podem se manter produtivas por até 30 anos, integrando-se perfeitamente a sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Explorando maciços nativos: babassu, buriti e a necessidade de políticas públicas

O Brasil possui cerca de 20 milhões de hectares em maciços nativos de palmeiras como babaçu e buriti, que são subaproveitados. Para Laviola, a chave para destravar esse potencial é a criação de políticas públicas adequadas que estruturem arranjos produtivos locais, beneficiem as comunidades e promovam a exploração sustentável da nossa biodiversidade.

“A exploração sustentável da nossa biodiversidade evita o desmatamento”, concluiu, ressaltando que o conhecimento gerado pela Embrapa é fundamental para dar suporte a essa nova economia.

Os números do artigo

Os números do artigo
IndicadorDado
Área de canola no Sulquase 200 mil ha
Projeção para 20301 milhão de ha
ZARC da canola no Cerradodesde 2021
Ciclo do cártamo90 dias
Início da produção da macaúba5 anos
Maciços nativos de palmeiras no Brasilcerca de 20 milhões de ha
Símbolo da marca Donizete Tokarski

Sobre o autor

Donizete Tokarski

Engenheiro agrônomo formado pela UFG, presidente executivo da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sócio-diretor da LKT Consultores Associados e apresentador do programa Energia Agro, no Canal AgroMais.

Conheça a trajetória
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