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Biocombustíveis

Energia e alimentos: seminário na CNA mostra a integração entre biocombustíveis e proteína

Energia e alimentos: seminário da Frente Parlamentar do Biodiesel na CNA reúne dados do CEPEA, UNEM e ABIOVE sobre soja, farelo e etanol de milho.

Por Publicado em 4 min de leitura

Energia e alimentos: seminário na CNA mostra a integração entre biocombustíveis e proteína

Resumo direto

  • A cadeia da soja e do biodiesel movimenta 6% do PIB nacional e envolve mais de 2 milhões de trabalhadores.
  • Processar a soja no Brasil gera 4 vezes mais PIB do que exportar o grão; 15% da soja esmagada já vai para o biodiesel.
  • Dados do CEPEA indicam redução de 3,4% no preço do farelo a cada aumento do esmagamento.
  • O etanol de milho já responde por 27% da produção nacional de etanol.

Seminário revela como biodiesel e etanol impulsionam desenvolvimento econômico sem comprometer segurança alimentar

Brasília, 21 de agosto de 2025 – O Brasil consolidou-se como referência mundial na produção sustentável de biocombustíveis, demonstrando que é possível conciliar segurança energética e segurança alimentar através de políticas públicas estruturadas. A conclusão foi apresentada durante seminário realizado na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), organizado pela Frente Parlamentar do Biodiesel.

O evento reuniu parlamentares, representantes do agronegócio e especialistas para debater o futuro da cadeia produtiva de biocombustíveis no país, com foco na integração entre produção de energia e alimentos.

Transformação do interior brasileiro

O deputado federal Alceu Moreira (RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, destacou como os biocombustíveis estão transformando o interior do país. “Hoje eu estou no palco do Brasil real, onde uma esmagadora de soja no interior cria economia circular, gerando empregos e dignidade para milhares de famílias”, afirmou.

Dados do impacto socioeconômico

Segundo estudos apresentados no seminário:

  • 6% do PIB nacional é movimentado pela cadeia da soja e biodiesel
  • Mais de 2 milhões de trabalhadores estão envolvidos na cadeia produtiva
  • 4 vezes mais PIB é gerado quando a soja é processada internamente versus exportação direta
  • 15% da soja esmagada já é destinada à produção de biodiesel

Sinergia entre biocombustíveis e proteína animal

A pesquisadora Nicole Rennó, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), apresentou dados que comprovam a complementariedade entre produção de energia e alimentos.

“Quando aumenta o esmagamento para biodiesel, automaticamente aumenta a oferta de farelo de soja, beneficiando toda a cadeia de proteína animal”, explicou Nicole. Os estudos revelam que:

  • 37% das oscilações no preço da ração são explicadas pelo preço do farelo
  • Redução de 3,4% no preço do farelo a cada aumento do esmagamento
  • 20% do volume e 30% do custo das rações é composto por farelo de soja

Etanol de milho: nova fronteira energética

O setor de etanol de milho emerge como exemplo de inovação sustentável. Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), destacou o crescimento exponencial do setor.

Números do etanol de milho

  • 27% da produção nacional de etanol em apenas 7 anos
  • 20 milhões de toneladas de milho demandadas anualmente
  • 6 milhões de toneladas de ração devolvidas ao mercado
  • Projeção de dobrar a produção para 20 bilhões de litros

“Transformamos excedentes exportáveis de milho com dificuldade logística em valor agregado, economia, riqueza e empregos no interior”, afirmou Nolasco.

Sustentabilidade e descarbonização

O deputado Arnaldo Jardim (SP), presidente da Comissão de Transição Energética, enfatizou o papel dos biocombustíveis na descarbonização da economia.

“O biodiesel reduz entre 74% e 80% as emissões de carbono comparado ao diesel fóssil. Se o mundo fizesse o que o Brasil está fazendo, teríamos um avanço formidável no combate às mudanças climáticas”, declarou.

Marco regulatório: Combustível do Futuro

A Lei do Combustível do Futuro estabelece:

  • Aumento gradual da mistura de biodiesel até B20 (20%)
  • Expansão do etanol na matriz energética
  • Desenvolvimento da cadeia do biometano
  • Criação do SAF (combustível sustentável de aviação)

Desafios e oportunidades

Crédito e seguro rural

Moreira identificou a necessidade de modernizar o sistema de crédito rural: “Nosso modelo de crédito é da década de 50. Precisamos de uma plataforma de crédito positivo onde produtores honestos tenham acesso facilitado ao financiamento”.

Abertura de mercados internacionais

O setor trabalha na diversificação de mercados para farelo e biocombustíveis:

  • 18 novos mercados abertos em dois anos para farelo de milho
  • Mercado chinês aprovado para farelo de milho brasileiro
  • Estratégia de comunicação internacional para produtos brasileiros

Biomassa: gargalo identificado

Maurício Buffon, da APROSOJA, alertou para um desafio emergente: “A questão da biomassa será um grande gargalo. Precisamos de parcerias para plantio de eucalipto e suprimento sustentável para caldeiras industriais”.

Integração estratégica

André Nassar, da ABIOVE, resumiu a estratégia do setor: “Cada ponto percentual de aumento no teor de biodiesel gera demanda de 3 milhões de toneladas a mais de esmagamento. Precisamos expandir mercados internacionais para farelo, protegendo a rentabilidade da indústria”.

Perspectivas para a COP30

O Brasil se prepara para apresentar na COP30 seus avanços em biocombustíveis como solução global para mudanças climáticas. O país é o único que exporta commodities mantendo mínimo de 20% de vegetação nativa preservada.

Próximos passos

A Frente Parlamentar do Biodiesel anunciou a criação de um laboratório de inteligência estratégica para:

  • Coordenar políticas públicas decenais
  • Monitorar mercados internacionais
  • Integrar todos os elos da cadeia produtiva
  • Fortalecer a comunicação sobre sustentabilidade brasileira

O seminário demonstrou que o Brasil desenvolveu um modelo único de economia circular no agronegócio, onde biocombustíveis e produção de alimentos se complementam, gerando desenvolvimento sustentável no interior do país.

“Não existe concorrência entre produção de energia e alimentos no Brasil. Aqui se produz soja para produzir alimento e energia”, concluiu Donizete Tokarski, da UBRABIO.

Os números do artigo

Os números do artigo
IndicadorDado
PIB movimentado pela cadeia da soja e do biodiesel6%
Trabalhadores na cadeiamais de 2 milhões
Soja esmagada destinada ao biodiesel15%
Queda no preço do farelo a cada aumento do esmagamento3,4%
Etanol de milho na produção nacional de etanol27%
Redução de emissões do biodiesel74% a 80%
Símbolo da marca Donizete Tokarski

Sobre o autor

Donizete Tokarski

Engenheiro agrônomo formado pela UFG, presidente executivo da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sócio-diretor da LKT Consultores Associados e apresentador do programa Energia Agro, no Canal AgroMais.

Conheça a trajetória
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