Biodigestor e biodiesel: a bioeconomia na propriedade rural, com a Embrapa
Biodigestor rural: Itânia Soares, da Embrapa Agroenergia, mostra como dejetos viram biogás e biofertilizante e como óleo de cozinha vira biodiesel.

Resumo direto
- Um biodigestor de 5 mil litros, alimentado com 50 a 70 kg de dejetos por dia, gera cerca de 2 m³ de biogás por dia.
- O biogás substitui 1 a 2 botijões de GLP por mês e pode abastecer equipamentos e geradores.
- O digestato que sobra é um biofertilizante rico em nitrogênio, fósforo e potássio.
- A Embrapa busca empresas para produzir os biodigestores em escala e oferece curso online gratuito sobre biodiesel.
Dra. Itânia Soares e Donizete Tokarski discutem sobre o biodigestor rural no programa Energia Agro.
No cenário atual, onde a sustentabilidade e a eficiência energética são cruciais, a bioeconomia surge como uma solução poderosa para o agronegócio. No programa Energia Agro, apresentado por Donizete Tokarski no canal Agro+, a Dra. Itânia Soares, pesquisadora doutora em Química pela Embrapa Agroenergia, compartilhou insights valiosos sobre duas tecnologias transformadoras: o biodigestor para propriedades rurais e a produção de biodiesel.
A conversa revelou como resíduos, que antes eram um problema ambiental, podem se tornar fontes de energia limpa, economia e até mesmo de fertilizantes de alta qualidade, criando um ciclo virtuoso no campo.
Biodigestor: transformando resíduos em energia e renda
Um dos grandes desafios das propriedades rurais é a gestão dos dejetos de animais. A Dra. Itânia explicou como um projeto inovador da Embrapa, desenvolvido em parceria com a cooperativa Copa Indaiá em Luziânia (GO), está mudando essa realidade.
Como funciona o biodigestor da Embrapa?
A tecnologia consiste em um sistema que utiliza os dejetos de animais (bovinos, suínos, etc.) para produzir biogás através de um processo natural chamado biodigestão.
“A biodigestão é bem versátil, você pode utilizar diferentes tipos de matéria orgânica. É um processo que ocorre naturalmente […] os micro-organismos precisam desses nutrientes para continuar se multiplicando, quebrando aquela matéria orgânica e gerando gás”, detalha a pesquisadora.
O projeto validou protótipos de 3 mil e 5 mil litros, que já estão em operação há quatro anos, provando sua robustez e eficiência.
Qual a capacidade de produção de um biodigestor rural?
Um sistema de 5 mil litros (5 m³), alimentado diariamente com 50 a 70 kg de dejetos, pode gerar cerca de 2 metros cúbicos de biogás por dia. Mas o que isso significa na prática para o agricultor?
- Substituição do gás de cozinha: O biogás pode ser usado diretamente no fogão, gerando uma economia de 1 a 2 botijões de GLP por mês.
- Uso em equipamentos: O gás pode alimentar equipamentos na propriedade, como os da sala de ordenha.
- Geração de energia elétrica: É possível usar o biogás para alimentar um gerador por algumas horas, garantindo energia em locais isolados ou durante quedas na rede.
O ciclo completo: do gás ao biofertilizante (digestato)
A grande vantagem do biodigestor não para na produção de gás. O material que sobra do processo, chamado de digestato, é um biofertilizante riquíssimo em nutrientes.
“O que é bacana do biogás é que você está usando uma coisa que não ia servir para nada, um passivo. Você gera energia e, além disso, tem o digestato, que pode ser utilizado como biofertilizante”, afirma a Dra. Itânia.
Este bioinsumo, rico em nitrogênio, fósforo e potássio, pode ser aplicado diretamente na lavoura (milho, feijão, soja), corrigindo o solo e reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos, fechando um ciclo perfeito de sustentabilidade e economia na fazenda.
Como ter acesso a essa tecnologia?
A Embrapa está finalizando o processo de proteção da tecnologia e agora busca parceiros – empresas interessadas em produzir e comercializar os biodigestores em larga escala. A ideia é oferecer ao mercado uma solução de baixo custo, robusta, durável e de fácil operação, ao contrário de muitos modelos de alvenaria que apresentam problemas com o tempo.
Biodiesel: educação e aproveitamento de resíduos
Outro pilar da bioeconomia discutido foi o biodiesel, com foco na capacitação e no enorme potencial do óleo de cozinha residual.
Capacitação ao alcance de todos: o curso online da Embrapa
Para quem deseja se aprofundar no tema, a Embrapa oferece um curso online e gratuito sobre biodiesel na plataforma É Campo.
“É um dos cursos mais procurados dentro da Embrapa para capacitação”, comenta a Dra. Itânia. O curso é dividido em módulos sobre processos, mercado e uma introdução geral, servindo tanto para estudantes quanto para profissionais da área.
Óleo de cozinha: de vilão ambiental a matéria-prima valiosa
O descarte incorreto do óleo de cozinha é um grave problema ambiental. No entanto, esse resíduo é uma matéria-prima de excelente qualidade para a produção de biodiesel. A Dra. Itânia destaca que, com o tratamento adequado para remover umidade e impurezas (processo que as usinas já realizam), o óleo residual produz um biodiesel de alta qualidade.
A mensagem é clara: incentivar a coleta responsável em cooperativas, igrejas e pontos de coleta é fundamental. Essa atitude transforma um passivo ambiental em combustível limpo, gerando uma cadeia de valor sustentável.
Energia Agro: conectando inovação e sustentabilidade no campo
A entrevista com a Dra. Itânia Soares no programa Energia Agro deixou evidente que o futuro do agronegócio é verde e autossuficiente. Tecnologias como o biodigestor e o aproveitamento de resíduos para biodiesel não são mais promessas distantes, mas realidades acessíveis que oferecem autonomia energética, redução de custos e um enorme benefício ambiental.
Fica o convite para que produtores, empreendedores e a sociedade em geral explorem essas oportunidades, construindo um Brasil mais sustentável e economicamente forte.
Os números do artigo
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Volume do biodigestor | 5 mil litros (5 m³) |
| Dejetos por dia | 50 a 70 kg |
| Biogás gerado | cerca de 2 m³ por dia |
| Economia de gás de cozinha | 1 a 2 botijões por mês |
| Tempo de operação dos protótipos | 4 anos |
Sobre o autor
Donizete Tokarski
Engenheiro agrônomo formado pela UFG, presidente executivo da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sócio-diretor da LKT Consultores Associados e apresentador do programa Energia Agro, no Canal AgroMais.
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